
Foto: Sebastião Salgado
.
.
Quem constrói a fome
Não conhece o coração
Crianças refugiadas
Almas silenciadas
Renegadas ao clássico
Espetáculo da ignorância
Filhas das lágrimas de um povo
.
Quem apaga a luz
Ignora a razão
Quem dorme tranqüilo,
Quando as balas de canhão
Matam e mutilam
Toda a geração de um povo
Separam gentes, famílias
Fazem do chão uma nova Terra
Brilhante de sangue impuro…
.
Quero teu sorriso
Pelo sim ou pelo não
Quero ter por isso
Uma via em dupla mão
Pois se eu fosse sentir
O quanto dói a situação
Nunca mais poria
Os pés em pátria de porão
É nas ditaduras
É naqueles dias
Crianças matando irmão
Quem renasce e sofre
Orfanato e depressão
.
Chorar!
E quem não chora dança…
Dançar!
E quem dança não se cansa
Chorar!
Quando toca a garganta
E seca a lágrima sadia
E fica no peito a agonia
De saber que nem um dia
De esperança restaria
Se restasse eu voltar
Pra chorar!
E quem chora traz o livro
Quem espera faz o rito
Insensato calibrar!!!!!!!!!
.
Cantar!
Meus amigos me esperam
Cantar!
Quando tudo vira névoa
Cantar!
E cantar pra ser feliz
Cantar
E cantar até silenciar fuzis
E flores
Todas as flores que colher
Serão fáceis poesias
Calibradas pelos dias
Em que eu pudesse, poderia
Não chorar…
.
Cantar!
Pra mudar o meu destino
Cantar!
Meus pulmões inventam o hino
Sentir no peito o Lácio genuíno
Flor inculta que me esconde
Faz de mim o coração
E a oração sentida
Santa Virgem Maria
Venho agora em meio a ti
Pedir inutilmente
Que acabe com meu pranto
Que simule o paraíso
Pra lá eu poder voltar
.
Anjos
Santos
Fiéis filhos da justiça
Mudos ficam em preguiça
Ao espetáculo assistir…
.
E os refugiados
Choram silenciados
Vilipêndio inútil
Canção, ode e réquiem…
.
.
******************************************************************************************
.
Uma das coisas que mais me irrita no mundo é a desigualdade. É claro, vivemos num mundo de diferenças, mas a Justiça está em tratar desigualmente os desiguais. A desigualdade atinge seu nível mais alto quando a própria humanidade é deixada de lado e o indivíduo passa a ser paisagem, miragem, véu…
Isso acontece com os invisíveis, os excluídos, os inválidos, os esquecidos. Êxodus, é uma ótima coletânea de fotos de Sebastião Salgado toca num destes pontos, a questão dos refugiados, dos que fogem.
Fugir é uma das mais deprimentes condições humanas. O homem que foge fica perdido, jogado, excluído, desumanizado. Os olhares, as faces, as expressões de quem sorri triste, abandonado. O refugiado é um ser sem pátria, um visitante indesejado. Um eterno triste…
É por isso que escrevi sobre estas pessoas. Pra que todos vocês se lembrem que nem sempre é possível ter um feliz ano novo. Torçamos pois que haja justiça e que nós, pobres seres, possamos fazer algo para aplacar a dor destes sofredores.
Este blog está em campanha pelos refugiados do mundo. Ajude-nos escrevendo sobre este tema, falando algumas linhas sobre os excluídos, os abandonados, os esquecidos. Fale com seus amigos sobre o tema. Pense seriamente que o nosso modo de vida e as escolhas que fazemos na hora de comprar no supermercado pode influenciar na fuga em massa de populações.
Pense na leva inominável de nordestinos que fugiram da seca e da fome querendo uma vida melhor na cidade e conseguiram apenas desilusão. Pense que o flagelo da fuga está próximo, nos que fogem dos morros e em nós, que cada vez mais fugimos de nós mesmos.
Não é possível ter um feliz ano novo com medo. Temos de enfrentar o medo com coragem, força, lucidez. Temos de enfrentar o medo com a razão, com as palavras. Ajudem-me a crer que o próximo ano será bom, mas isso só será possível quando pudermos abraçarmo- nos como irmãos.
Abraços a todos…
5 Comentários
29 Dezembro, 2007 às 4:30 pm
Adorei o template!
E o poema!
A desigualdade é nosso maior mal…
30 Dezembro, 2007 às 1:28 pm
Realmente… desculpe-me pelas palavras de ontem, afinal, esta realidade faz parte da minha, também.
E, o template ficou lindo! Parabéns!
E eu vou postar sobre isso, mas agora acabei de fazer um post, então vai ficar pro futuro, ok?
Bjinhos querido…
1 Janeiro, 2008 às 9:48 pm
Reflexão assim faz de um homem construtor de pensamento e, talvez amenize o sofrimento de tantas pessoas.
Parabéns por tudo e que 2008 seja de muita paz e sucesso.
Abraço,
6 Janeiro, 2008 às 4:55 pm
Refugiados, da razão e da ignorância/ de um povo que deveria, ser irmão/ Refugidos de quem?/ De onde? de mim?/ com certeza não…/ Eu não atiro bombas!/ Eu não mato pela ambição./ Quem assim o faz, é um povo/ que tem paixão por tirar o sossego de outros povos e,/Se denominam, donos do mundo!/ De um Mundo que é muito mais velho que nossos pais/ Quem os poderia, subjugar?/ Apenas Deus!
25 Agosto, 2008 às 6:24 pm
Adorei o poema e o comentario!
esse poema sera meu trabalho de geografia!
achei muiito realistah e resolvir botar no meu trabalho!
nos podemos mudar o mundo.so basta vc quere!