A calma
Aclama o ódio.
Os pés,
impunes
vagueam.
A lágrima
rota e triste
umedece, salobra.
As pálpebras
Piscam.
As saudades
Avisam.
As cidades
Sintonizam
A beleza
A arte
O caos.
Seres humanos
habitam.
Pés, mãos
Planos
Hotéis,
Viagens
malditos anos
De passagem
Vagões de trem
Vagos.
Respiro.
Humilde
Respiro.
A calidez surpreendente
cessa o poema canćão.
Sou meu próprio feitor
Ando pelo mundo
Produzindo auto-flagelaćões
mascaro a covardia
No vagar
errante
tardio
Atrasado,
Ópio.
Opino.
Avanćo
Retraio.
Amo a solidão
Como quem ama o cais
Sempre voltado para o mar vazio.
Rio
Das lamentaćões
Produzo
pinacotecas de sonhos
vazios.
Sou a poesia
Desencarnada
sou o vadio ser
que povoa a eternidade
Sou a decadente virtude
Que descamba
Para o feitio do bem e do mal
Ando na encruzilhada
Minha alma sofre calada
E escarnece de tudo, tudo, tudo pelo mundo.
Vou
Vou ardentemente seguir a canćão.
Vou ardentemente caminhar
Encher-me de virtude
Parafrasear os meus solilóquios
Cortar as ventas do tempo
E então
Mastigar o passado
Engolir o presente
Com o vinho factual do futuro.
4 Comentários
19 Maio, 2009 às 1:43 am
“Amo a solidão
Como quem ama o cais
Sempre voltado para o mar vazio.”
Sem palavras para vc! simplesmente sensacional, essa frase parece feita para mim! Abraços!
19 Maio, 2009 às 11:11 pm
Belo jogo de palavras!
22 Maio, 2009 às 4:48 pm
E que virtude há nisso?
29 Maio, 2009 às 8:13 pm
Olá Poeta Matemático,
Gostei mto do seu estilo literário, realmente, profundo e moderno.
Tenho um blog com uns delírios meio parecidos, porém bem mais coloquial.
Vou seguir seu blog.
Até o próximo soneto…