Não ligo.
Traio meus próprios intentos
Vario soluções e momentos
Catalismo minha álgebra,
Sussurro a cor sonâmbula e ilógica,
Planto-me em vasos e me rego.
.
Recuso-me a contrariedades
Sou a expressão cruel da verdade
Verde, lilás, anil, fúcsia
Rosa, margarida, dedo-de-moça
Cravo, crisântemo, ametista;
Que flor seja:
Brilho com meu brilho,
Pinto o mundo
Perfumo.
.
E que me vale a solidão?
Maquio-me de cores várias
Estou nas ruas, estradas, países
Faço pessoas felizes
Nos cantos por onde passo.
Sou a cor do mundo.
.
Sonho sim! Claro que sonho.
Sonho que serei eu a acabar as guerras
Acalentar todas as ruas das cidades
Surrupiar do mundo as misérias
Abrigar sobre mim as mazelas esquecidas
Dar de comer às almas sedentas do pobres.
Sonho ser a revolução silenciosa:
Sem sangue
Sem canhão
Sem lágrima
Sem dor,
Sem heróis.
Sonho ser o símbolo do tempo novo.
.
Mas existo.
Em cada parte, pinto
De Monet a Mondrian
De Poncelet a Ives Saint Laurent
Brasília, Rocinha, Amsterdã
França, Londres, Paris, Pontisan:
Florianópolis.
Existo para o encanto:
Estou na tango, na boca
Na língua, em tantas que me perco
No peito vazio das prostitutas
Nas mãos dos boxeadores após as lutas
Na alegria, no amor, na vaidade,
Nos cetros dos reis, nas vielas das cidades
Nas mãos lambuzadas dos amantes
No veio da terra lamacenta
Na rua, no filme de 40
Na garganta enevoada dos neandertais.
.
Sim, quero invadir todos os lugares
Quero perceber todas as verdades
Quero possuir todas as bocas
Todos os lábios, estar em todos os orgasmos
Colorir todas as despedidas.
Quero estar no mar, com Iemanjá
Estar no Japão, com Gautama,
No olimpo, ao lado de todos os deuses
Com Baco nas orgias.
Sim, também quero vinho,
Quero me embebedar de virtude
Quero me entupir de poesia
Quero chorar de nostalgia
Quero lembrar, quero esquecer
Quero voar com os paraquedistas
Pousar nas luas-de-mel
Andar nos cabelos das meninas
Nas mãos suadas dos rapazes
Nervosos no começo da vida.
Quero a paz sem fronteiras
A alegria verdadeira
A liberdade perfeita,
Onde todos sejam, não pareçam.
.
E quando pousares moribundo
Na tua última viagem
Lá estarei de braços abertos
Para levar-te à eternidade
1 Comentário
5 Junho, 2009 às 6:37 pm
Querido poeta!!
Saudades de contar teus versos e multiplicar a inspiração!!… adorei a lógica das floras!!…rs..bjo