Da perfeição das pequenas coisas
21 agosto, 2011 2 Comentários
E eu estou envelhecendo. É incrível perceber que o corpo continua mudando, que certas coisas eu já não darei conta de fazer. Mas ao contrário do que eu pensava, resolvi deixar isso acontecer com naturalidade. Os dias, as horas, os acontecimentos, as experiências…
Quando a gente envelhece parece que as pessoas nos tratam como sábios. Como se, pela primeira vez, o que eu digo pudesse ser digno de ser escutado por alguém. Ah, ledo engano! Como eu sou inseguro e incapaz! Como eu penso ainda tantas vezes antes de decidir. E como eu sofro pelas minhas escolhas.
Mas aprendi a caminhar. Aprendi a ter paciência. Aprendi a não apressar o passo das coisas. Aprendi a domar meu tempo e deixar correr as coisas pelos meus olhos. Aprendi a segurar as rédeas do tempo com suavidade, não com força. Aprendi a ser sereno. Aprendi a ouvir.
Aprendi que o ideal não é o bastante. Aprendi que nem sempre tenho de querer sempre mais. Aprendi a ser melhor, mas ser apenas melhor, sem a estupidez de querer ser melhor do que ninguém…
Aprendi a olhar os jovens com outros olhos. Eles são tão belos, tão ingênuos, tão puros. Tão inseguros… tão parecidos com tudo o que eu sinto agora…
Tão cheios de dúvidas e ao mesmo tempo tão aguerridos e fiéis. Tenho tanto orgulho dos meus amigos de quinze, dezesseis anos. Tenho tanta certeza de que eles vão muito longe justamente por não terem consciência precoce disso…
E vou indo, aprendendo com as idéias daqueles que nem sabem como são belas suas idéias. E o peso dos anos, eu vou deixando nas curvas das estradas. Fico apenas com as marcas suaves do tempo que passa. As rugas de alegria pelos dias que ainda virão…