À noite o cântico
27 setembro, 2011 3 Comentários
Os reis andam nus com suas espadas flamejantes
E lá fora os prados verdes desencontram o perigo
Há o oceano e as nuvens e há o terror que envolve amigos e inimigos
E há a noite, e os temores vãos dos homens que temem a noite
E há o medo do encontro e a solidão do desencontro nos comove.
Bebo da solidão no cálice imundo da minha covardia
Procuro as garantias de temor e céu
Mas me perco nas prosopopéias mais inadequadas
Nas redondilhas encadeadas de versos que não planejo
Quem sou eu, pergunto-me
Que fiz das minhas perturbações ilusórias e de meus pensamentos que muito interessavam a dois queridos amigos?
Que fiz dos meus vinte e poucos anos? Que orgulho deixo para o homem que fui?
Onde está o intrépido viajante, descortinador de futuros vindouros?
Onde estou, que não me reconheço?
Fujo de mim, fugaz.
Procuro no outro o futuro que planejei a mim mesmo
Vago na história das coisas que não fiz
Engulo-me de novidades enquanto vegeto.
Não, não é nostalgia. É mais algo que me embala,
Como o canto perdido de um pássaro engaiolado
É a tristeza com sua profundidade de cemitério.
E os reis andam nus com suas espadas flamejantes
Queimam com seus cetros os campos cobertos de feno
Enquanto eu me embalo renitente
Na estonteante eternidade de cada instante