ROMEO
If I may trust the flattering truth of sleep,
My dreams presage some joyful news at hand:
My bosom’s lord sits lightly in his throne;
And all this day an unaccustom’d spirit
Lifts me above the ground with cheerful thoughts.
I dreamt my lady came and found me dead–
Strange dream, that gives a dead man leave
to think!–
And breathed such life with kisses in my lips,
That I revived, and was an emperor.
Ah me! how sweet is love itself possess’d,
When but love’s shadows are so rich in joy!
(Shakespeare, Romeo and Juliet, act 5, scene 1)
Ela é meu amor e meu tesouro, meu sorriso, o cálice onde bebo meu vinho, receptáculo do meu corpo, musa de minhas palavras e versos, a flor do jardim: a que mais cuido e amo. Ela é a folha coberta de orvalho, a maciez recôndita onde me deito, o acalanto, a harpa doce que permeia meu descanso.
Ela é o vento que guia meu barco, o sol que castiga minha pele, o tempero da comida desejada, a fome que me envolve e nunca se sacia.
A coberta onde durmo, as estrelas que brilham e me guiam, água da minha sede, incenso do meu caminho, dona, senhora, escrava e desconhecida: meu inteiro e minha metade, convergência dos meus limites.
Seu cheiro me inebria e me conforta. Seu colo guarda-me no cansaço. Seu ventre dança sobre mim, seu coração me guia, sua respiração me sossega e arrepia. Suas mãos vagam em meu corpo, arranham a pele, me machucam e afagam.
Seus olhos me fuzilam, me maltratam, me atingem onde dói mais: meu orgulho. Suas pernas me enlaçam sem pudores e me chutam quando querem. Seus cabelos tão macios são minha morada.
Seus pés, ah! Seus pés cansados são o deleite das minhas mãos e o destino dos meus beijos…
Seu corpo é meu caminho e obstáculo. Beijo-te inteira quando me pedes e olho com malícia quando me negas. Suplico-te todos os dias e tu me dás apenas o que te sobra.
Canto para que durmas, velo o teu sono e quando acordas estou disposto a me entregar-te. Dou-te a vida, o teu sustento, amor infindo, fidelidade e companhia. Nada peço em troca, exceto a contemplação e a certeza de tê-la quando quiserdes.
Sou teu, me tomas.
Sou teu, me leves…
A dança
Coro.
1 Retorna, Sulamita, retorna!
Retorna, para podermos contemplar-te, retorna!
Ele.
O que vedes na Sulamita,
quando dança entre dois coros?
2 Como são belos teus passos nas sandálias,
ó filha de príncipes!
Os contornos de teus quadris são como colares:
obra das mãos de artista.
3 Teu umbigo é uma taça redonda:
não lhe falte vinho mesclado!
Teu ventre é um monte de trigo, cercado de lírios.
4 Teus seios são como duas crias,
como gêmeos de gazela.
5 Teu pescoço é como uma torre de marfim.
Teus olhos são como as piscinas de Hesebon,
junto à Porta Maior.
Teu nariz é como a torre do Líbano,
sentinela sobre Damasco.
6 Tua cabeça sobressai como o Carmelo;
e as madeixas de tua cabeça são como fios de púrpura,
que nos tanques um rei mantém amarrados.
Protestos de amor
Ele.
7 Como és formosa e encantadora,
ó delicioso amor!
8 Teu talhe assemelha-se a uma palmeira,
e teus seios a cachos.
9 Eu disse: “Vou trepar pela palmeira
e agarrar-me às suas frondes”.
Teus seios devem ser como racemos na cepa,
teu hálito como a fragrância das maçãs,
10 tua boca, como vinho generoso.
Ela.
Ele flui suavemente para meu amado
deslizando pelos lábios dos adormecidos!
11 Eu sou do meu amado,
e ele arde em desejos por mim.
Canção do encontro
Ela.
12 Vem, meu amado, saiamos ao campo!
Passaremos a noite nas aldeias,
13 madrugaremos para ir aos vinhedos,
ver se as vides lançaram rebentos
ou se já se abrem suas flores,
se florescem as romãzeiras.
Ali te darei o meu amor.
14 As mandrágoras exalam seu perfume,
e à nossa porta há mil frutas deliciosas,
tanto frescas como secas,
que para ti, meu amado, reservei.
(Fragmento do Cântico dos Cânticos, Bíblia)