28 Dezembro, 2008

Os refugiados

 
Imagem descrevendo pessoas fugindo
Imagem descrevendo pessoas fugindo

 

Toda guerra é estúpida. Nenhuma guerra é necessária. Todas as guerras são absurdas. Não defendo nenhum lado.  Quem mata, silencia, oprime, estupra, rouba, está errado. 

O problema é que de vez em quando as pessoas tentam justificar suas guerras. E há justificativas e justificativas. Por exemplo, tem gente que acha que as guerras são do bem contra o mal. É claro, ele está sempre do lado do bem.

Procurado

Procurado

 
Outros fazem guerra porque acham que sua raça é melhor.
 
 
 
 
 
E uns viram bons, outros viram maus. De uns a gente gosta (eu podia colocar várias fotos de “heróis de guerra” aqui)  de outros a gente sente repulsa. O que mais marca é que todos eles é que eles tentam achar justificativas para suas matanças.
E o que mais me irrita é que justamente as vítimas que sentiram a dor da guerra e da perseguição na pele.
Agora usam as mesmas justificativas para oprimir um povo.
Bem, nenhum deles é santo. Mas santos por santos, prefiro os meus santos católicos. E é isso….

19 Dezembro, 2008

Campanha poesia contra a fome

Senhoras e senhores leitores deste humilde, porém sincero blogue.  Estou começando uma nova campanha e gostaria de contar com a ajuda de todos vocês. É o seguinte, resolvi vender poemas. Não, eu não vou ficar com o dinheiro da venda dos poemas. Na verdade a idéia é outra…

O lance é o seguinte, quem estiver interessado em comprar um poema, basta dar uma grana para uma instituição de caridade e me passar o comprovante de depósito escaneado para o e-mail mahungria@gmail.com. Aí eu faço um poema especial, único e inigualável especialmente para o caridoso de plantão. Aí vão as regras:

  1. A doação tem de ser feita a partir do mês de dezembro.
  2. O mínimo de doação é R$50, 00 ou uma cesta básica.
  3. O poema será enviado para o doador, que apreciará e aprovará ou não o poeminha.
  4. Caso o poema seja aprovado, ele será publicado no site http:\\poetamatematico.wordpress.com.
  5. Caso o doador queira ficar anônimo, garanto total sigilo de identidade.

Assim, sei que algumas pessoas vão reclamar da quantia (concordo que cinqüenta lascas é dinheiro…) mas acho que caridade é dar algo que você tem de bom, e não o que te sobra. Dar o que sobra é esmola e não é esse o objetivo aqui.

A idéia é exercitar a caridade e, para isso, a gente tem de abrir mão de algo que a gente gosta pensando num bem maior. Que tal abrir mão de um chopinho, de um novo perfume, de uma noite no motel, pra ajudar alguém a ter uns dias melhores? E quem vai no supermercado sabe que esse dinheiro não dá nem pra uma semana…

O e-mail para o envio dos comprovantes é mahungria@gmail.com

Conto com a ajuda de todos vocês para que essa campanha seja um sucesso. Se você puder, faz um poste no seu blogue explicando sobre a campanha. Já será de grande ajuda. Também quem puder criar um logo maneiro, fazer cartazes, espalhar a idéia no orkut. O lance é ajudar o máximo de gente possível. Tem criatividade para poemas para todos.

Algumas contas de caridade para doar:

SOS Santa Catarina:
Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta Corrente 80.000-7
Fundo Estadual da Defesa Civil
CNPJ – 04.426.883/0001-57

Caritas Arquidiocesana

Banco Bradesco
Agência 3019-8
Conta Corrente 4800-4

Fundo Estadual para a criança ou adolescente:

http://www.sas.ce.gov.br/feca/oque/oque.asp

Entre outros muitos.

Ajudem, amigos, pelo bem de todos.

8 Dezembro, 2008

Vento fugaz

Vento nos cabelos

Vento nos cabelos

Fácil como o vento
Cumpro meu intento
E possuo com os dedos o sol
Escaldante da minha terra.

Sigo, me acho
Percorro utopias
Com os olhos fechados
E surrupio histórias
Perco-me em memórias
Infernos astrais

Julgo, reconheço
Tombo, pois mereço
Sinais artificiais
Dos fins que desconheço?

Vegeto, impávido
Corro errante
Caráter dominante
Que me implode, perfaz

Mas se me erro, me quebro
Faço inatividade onde há sol
E faço sol onde há apenas o momento

Derradeiro
Sorrateiro
Fugaz

Para Aline Lima

6 Dezembro, 2008

A Violência

Sinto que é preciso dizer, falar. Interagir.

Mas o mundo ando de quatro, entregue.

E a solidariedade anda desaparecida.

Mas isso muda, muda…

Ou mudo eu…

22 Novembro, 2008

Discurso sobre a liberdade

E eu resolvi escrever sobre a liberdade. Deu vontade de escrever sobre essa coisa sobrenatural pela qual tantas pessoas morreram e continuam morrendo ao redor do mundo. Essa vontade provavelmente foi influenciada pelas celebrações do dia de hoje (dia da consciência negra) que é feriado aqui no Rio. Hoje comemora-se o assassinato de Zumbi dos Palmares.

Eu nunca fui muito fã desse negócio de celebrar assassinato. Mas, como é por uma boa causa, tá valendo. É que a história do fim da escravidão no Brasil é vendida pra gente da seguinte maneira: os escravos eram negros, analfabetos, vítimas passivas. Então, um grupo de jovens universitários revolucionários, (brancos, diga-se de passagem) antenados com as discussões sobre liberdade que estavam acontecendo lá na Europa resolveram “lutar” para que os negros no Brasil fossem livres. E, através de uma carta, assinada por uma princesa branca com uma pena de ouro, finalmente os negros foram libertados e todos foram felizes para sempre.

Grande balela. Pior que isso é só acreditar no que o Diogo Mainard escreve na Revista Veja.

A história não foi bem assim. Muitos negros resistiram, fugiram, se organizaram, mantendo sua cultura na base da subversão. Foram contra o regime escravocrata que os oprimia e só a muito custo conseguiam algum tipo de liberdade. Eles sofreram, foram torturados, assassinados, esquartejados para servir de exemplo aos que tentassem segui-los. Quantas negras foram feitas escravas sexuais de seus senhores? Por quanto tempo essa situação foi tolerada neste país? Quantos SÉCULOS de sofrimento afligiram o povo negro do Brasil?

Somos a maior nação negra fora da África. Temos em nosso sangue e cultura os traços inalienáveis dos múltiplos povos negros que povoaram este país. Devemos muito de nosso modo de ver o mundo, de nossos trejeitos e malemolências à influência das culturas negras. Mas, apesar disso, quantos de nós adimitem ser negros? Quantos de nós não torcem o nariz ou trocam de banco de ônibus quando um negro senta ao nosso lado?

É por isso que esse dia tem de ser comemorado. Zumbi foi mais do que um líder, foi um símbolo da resistência dos negros contra os seus dominadores brancos. Zumbi lutou com todas as forças para defender uma povoação livre: o Quilombo dos Palmares, que foi múltiplas vezes atacado e saqueado. Zumbi deu seu próprio sangue e ofereceu a própria vida em sacrifício por um bem maior e mais precioso: a capacidade de pensar com a própria cabeça, usar os braços em mãos para o próprio sustento. O direito de ter algo e dizer que é seu, nem que seja sete palmos de terra.

Vivemos tempos ruins. Uma parte considerável da sociedade parou de acreditar no poder da resistência. E isso faz parte de um projeto maior de “pacificação” do povo brasileiro. Nunca fomos um povo pacífico. Nunca nos furtamos de lutar pelos nossos direitos e milhares de nossos antepassados deram a vida por isso. Zumbi, Conselheiro, Antônio Cândido, Garibaldi e muitos outros foram homens ousados que não tiveram medo de aceitar seu destino e correr risco de vida para conseguir direitos para todos. Farrapos, Sabinada, Balaiada, Cabanada, Canudos, Guerra do Paraguai, Revolução de 30, O Petróleo é Nosso, a resistência à ditadura, o Diretas já, são expressões reais de movimentos articulados de luta que sacudiram este país em diferentes épocas.

Se hoje somos um país LIVRE (isso, somos um país livre, embora não saibamos o que significa isso de verdade) DEMOCRÁTICO (sim, vivemos o período de plena democracia mais longo de nossa história e isso é fruto da luta de milhares de brasileiros que acreditaram num país livre de ditadores) SOBERANO (porque embora muitas pessoas vejam de maneira diferente, temos voz e peso para dizer SIM ou NÃO) e UNIDO, devemos à luta destas pessoas. Somos unidos em nossas diferenças e embora hajam disparidades regionais, um único sentimento de brasilidade nos une e move rumo ao futuro.

Somos uma grande nação e somos assim porque soubemos lutar e nos unir nos momentos certos. Soubemos acreditar nas palavras e agir com o intuito não de deixar que as coisas acontecessem ao bel-prazer dos acontecimentos, mas porque soubemos unir forças para fazer nosso próprio destino. E assim, olhando para a nossa gloriosa história, tenho certeza de que seremos grandes.

E é olhando para pessoas como Zumbi que eu continuo a ter fé em dias melhores para todos. Mas isso só virá com luta. Isso só virá com a participação de todos. Isso só virá quando todos tiverem fé também.

P.S.: Cacete, ninguém aí sabe onde eu posso arrumar um sextante?

18 Novembro, 2008

SUS e sonhos

Faz um certo tempo que eu estou querendo escrever sobre saúde. Na verdade, faz tempo que quero falar do SUS – Sistema Único de Saúde. Provavelmente todos vós, leitores, já tiveram em algum momento de depender do SUS para ser atendidos. E, provavelmente, a maior parte não quer repetir esta experiência…

Não quero entrar no mérito da qualidade. Como o SUS é uma rede, existem hospitais muito bons e hospitais muito ruins. Que a prevalência é dos ruins eu não tenho dúvidas. Ou será que tenho?

Eu quero falar de como é importante saber que uma rede como o SUS existe. Como é importante para o cidadão saber que, em qualquer parte do país que estiver, terá acesso a atendimento gratuito em caso de emergência. Infelizmente, vários países, como o EUA, não garantem este serviço básico à sua população.

Eu sei que as filas do SUS são enormes. Eu sei que é preciso esperar anos por uma cirurgia e meses para um exame. Sei que quando a gente entra numa emergência provavelmente vai passar horas ali, vendo o sofrimento de vários outros seres humanos e vai ser atendido por um médico em uma sala sem privacidade nenhuma, que nem sequer vai perguntar seu nome. Sei também que para marcar uma consulta com um especialista, talvez seja preciso passar a madrugada na fila, passando frio e fome…

Tudo isso eu sei, pois já passei por cada uma destas coisas. Já esperei, já me desesperei observando pessoas agonizarem sem ter um atendimento de qualidade, sem ter todos os recursos para lutar pela própria vida. Sabe, o sofrimento pode embrutecer as pessoas, pode fazer com que elas se desumanizem e muitos médicos acabam ficando assim. Mas acho que isso não é uma maioria. Tive sorte talvez, de ser atendido por médicos competentes, preparados, gente que está sempre pronta a sacrificar o seu tempo para explicar calmamente como deve ser ministrado um remédio, como fazer para eu me curar. Gente pronta a fazer tudo para ajudar.

Alguns médicos pelos quais tenho passado têm ajudado a salvar a humanidade, a crer que um mundo melhor é possível. São pessoas que sabem profundamente o sentido da palavra solidariedade. São pessoas que têm a capacidade de sorrir e a paciência para ouvir o que temos a dizer.

Eu dou muito valor a estas pessoas pois aqui no Rio estou cercado de pessoas que desconhecem piamente o que significa cidadania, respeito ao direito alheio, consciência social, direito coletivo. Gente que faz o que pode e o que não pode para se dar bem e tá cagando e andando para o próximo. Não falo isso por consciência cristã (não é o caso) mas porque acho que somos ajudados o tempo inteiro por pessoas que nos conhecem e não nos conhecem. Gente que faz além do seu trabalho, faz algo mais, se esforça sinceramente para que outras pessoas possam conseguir correr atrás dos seus sonhos.

Aqui no Rio as pessoas são muito individualistas, querem se dar bem a qualquer custo. Mas eu me pergunto: o que é se dar bem? É tem um novo iPhone? Roupas de marca? Surfar na Barra? Almoçar no Leblon? Aparecer na televisão? Ter um apartamento em Copacabana que vive vazio? Ganhar dinheiro? Ter mais?

Não, pra mim, se dar bem é SER mais. É QUERER mais. É PODER mais, ou seja, poder escolher e fazer a escolha certa. Todos dependemos de todos o tempo inteiro. Quero ter o direito de ligar para a polícia e saber que eles vão vir, vão me tratar com respeito e vão fazer o que estiver ao seu alcance para me ajudar. Quero poder entrar na justiça e não precisar pagar propina para meu processo andar. Quero não ter de chamar a atenção de ninguém por estar furando fila. Quero um mundo onde possa ajudar e ser ajudado e não ser olhado por algumas pessoas como se fosse otário por fazer o que acho certo e esperar a bondade das outras pessoas.

É por isso que eu boto muita fé nos médicos do SUS. Os caras ganham um porcaria, trabalham pra caralho, só se fodem com esse governador filho da puta, mas apesar de tudo sempre estão dispostos a ajudar. E ajudam. Esses médicos fazem e diferença nessa cidade onde a filhadaputagem passa de todos os limites. Esses médicos me fazem acreditar em dias melhores, onde as pessoas trabalhem pelo bem comum.

E afirmo: trabalhar pelo bem comum não é abrir mão dos seus sonhos, é algo muito mais sutil. É correr atrás de seus sonhos, fazendo o que estiver ao seu alcance para realizar os sonhos das outras pessoas. E, para tudo isso, a primeira coisa que a gente precisa é ter a capacidade de sonhar. Então, amigos, continuem sonhando. Sejam persistentes. Sejam fortes, não desistam. Um sonho realizado pode fazer uma vida inteira valer a pena, guapos.

E tenho dito…

P.S.: Um dos meus sonhos é comprar um sextante. Alguém aí tá a fim de dar uma força?

15 Novembro, 2008

Quando eu quiser te beijar

Quando você me beijar

Com sabor de maracujá

Me perdendo, procuro encontra

Um lugar bem mais perto de teu

Coração

E quando eu quiser te beijar

Vou andar pelo mundo, esperar

Suspirar, procurando caminhos

Correndo sozinho

Querendo você

10 Novembro, 2008

Minúsculos Assassinatos

Acabo de acabar de acabar de acabar de ler o novo livro da Fal (com direito a dedicatória matemática e tudo) que eu tive o imenso prazer em conhecer e cumprimentar aqui no Rio, numa livraria em Botafogo, quando do lançamento do livro. Admito que demorei um pouco pra ler, mas meus amigos mais próximos sabem que meu olho is not very ok, o que justifica tanto a demora na leitura quanto a incapacidade de escrever com mais freqüência neste blog.

Mas também há outros motivos. Este livro me causou uma profunda e dolorosa emoção. Sei lá, sinto que eu e a Alma (a personagem principal do livro) às vezes conversávamos, trocávamos figurinhas. Senti tanta angústia pelos seus entes, personagens, flagelos. Sabe, acho que senti uma certa cumplicidade, que só aqueles que passam por sofrimentos parecidos sentem. Eu e Alma, de vez em quando, choramos juntos, unidos, irmãos e agradeço muito à Fal por ter escrito este livro, que me fez compreender muito sobre eu mesmo. É que a Fal é de verdade, sabe, de carne e osso. Ela não é que nem o Veríssimo, ou o Drummond. Esses aí fazem parte de outro mundo (rsrsrsrsrsr). E então fica mais fácil sentir, experienciar, compreender. As palavras da Fal são de quem sente e, por isso mesmo, aguçam os sentidos de quem lê.

Esta cidade anda me fazendo mal, eu sei, mas talvez precise ficar aqui mais um tempo. Sinto também que talvez esteja sendo injusto em relação a certas coisas, certos sentimentos coletivos que me afligem e dominam. Isto faz com que eu me abra a certos preconceitos que, francamente, abomino.

A solidão anda pegando pesado comigo ultimamente, mas creio que ela seja um inimigo fraco perto de outros que ando enfrentando. Sinto que sou um sobrevivente, um guerreiro, um lutador, que tem colecionado mais vitórias que derrotas e, por isso mesmo, me sinto impelido a ir adiante, a lutar com cada vez mais força pelos meus sonhos.

Sinto que a humanidade tem perdido a capacidade de sonhar, de sentir, de lutar. A humanidade está passando por uma epidemia de senso comum e é obrigação da Universidade continuar mostrando os caminhos para um mundo de iguais, de justiça, onde reine a sabedoria, a esperança, a solidariedade e não o preconceito, o abandono e o medo. E é por isso que não desisto. É por isso que viro noites e noites estudando, lendo, experimentando novas formas de ensinar e aprender.

É preciso garantir para que todos tenham oportunidades iguais de lutar pelos seus sonhos e é só através da educação pública de qualidade que poderemos construir um caminho sólido e seguro para que isso aconteça.

É por isso que eu luto, apesar de querer desistir, às vezes. Mas, nessas horas eu penso em todas as pessoas que acreditaram (e acreditam) em mim e vejo que não tenho o direito de decepcioná-las. Saí de casa para mudar o mundo e não voltarei antes de conseguir isso, mesmo que me doa.

E a Alma me ensinou um pouco disso também. Às vezes sobreviver é muito, sabe? Ás vezes sobreviver é tudo. Mas, para mudar caminhos e propor novos destinos, é preciso mais do que sobreviver. É preciso brilhar. É preciso sonhar. É preciso trilhar o caminho e segui-lo, mesmo que pareça impossível.

É isso, Fal, obrigado por você existir. A Alma fez a diferença na vida de minha pessoa. Quem sabe tenha feito em mais? E, pros outros leitores deste blog, prometo poesia da boa, em breve. Este poeta anda muito prosaico ultimamente, rsrsrsrsrs

Até….

P.S.: Escrevinhei um post incrível (como eu sou modesto) sobre uma batalha entre punks e a polícia de Brasília. O relato é ficcional, mas tem elementos de diversos movimentos por onde passei. Tá enorme, mas é uma boa leitura. Quer ler? Clique aqui.

1 Novembro, 2008

O Metrô…

O Metrô…

Fecho os olhos. É cedo, meus olhos doem por causa de mais uma noite virada trabalhando. Essa vida de mestrando vai acabar me matando. Penso muito, absurdamente. A minha cabeça é uma explosão de idéias que psicam, na velocidade da luz. Nào consigo dormir direito, as idéias vêm me maltratar durante o sono, torturando meus sentidos, embaçando minha razão. E eu me perco entre elocubrações mentais, suposições intelecutais, formas novas de ver e entender o mundo.

Cada vez mais me vejo como um cientista e o mundo, como meu grande laboratório. As pessoas são meus experimentos e experiencio com cada uma delas nos encontros furtivos, nas palavras não-ditas, nos sorrisos contidos, inusitados, breves: sorrisos de elevador. Na Cidade, onde todos se estranham, sinto uma grande e inexplicável solidariedade. Na estranheza, somos cúmplices e na cumplicidade nós, cidadãos, vagamos entre a indiferença e a intolerância, unidos pelo medo, pelo preconceito, pelo instinto de sobrevivência. A animosidade leva à animalidade e, todos feras feridas, defendemos nosso espaço, vamos à caça, sobrevivemos.

E nesses dias nublados, de cidade vazia, gosto particularmente do metrô. Ali, ao contrário do ônibus, freqüentemente nos sentamos frente a frente com os desconhecidos e é impossível evitar que vez ou outra os olhos se encontrem, furtivamente. E sorrio. Sorrio porque sei que este papel é falso. Todos se observam, todos se entreolham, todos se encaram o tempo todo. Nem que seja pelo reflexo da janela. Nem que seja pelo canto, pelo cinismo de evitar o contato. Todos se entreolham, todos se vigiam. Todos se anulam. Todos.

E eu sorrio. Num átimo me deito no banco do trem, usando a mochila como travesseiro. Todos me observam, me julgam. Todos me invejam. Nenhum deles me encara, nenhum deles diz uma palavra.

E o experimento científico, senhores, foi um sucesso. Teoria comprovada mais uma vez. A falta de contato é muito mais um reflexo social do que uma necessidade de segurança. É a necessidade de não se misturar, de não se ater, de não ousar ser diferente. E, nesse misto de miséria humana e mediocridade, a ousadia de deitar-se é um pecado descomunal, julgado severamente e punido com a mais cruel das penas: a conivência.

Espreguiço-me, levanto-me. É hora de partir. Mas antes disso, ainda cruzo o olhar com uma jovem de All Star azul. Os olhos dizem tudo: não foi inveja, não foi julgamento, nem ternura. Foi admiração.

É senhores, ainda existem resistentes. Ainda…

Ainda…

28 Outubro, 2008

Travessia

Este fim de semana eu atravessei a Floresta da Tijuca a pé. Saí do Alto da Boa Vista, um dos bairros que eu mais gosto no Rio. O Alto da Boa Vista fica bem no alto do maciço da Tijuca. É uma região serrana no meio de uma cidade conhecida pelas suas praias e outras belezas naturais. Cercado de floresta por todos os lados, o Alto da Boa Vista é cortado por várias trilhas e estradas que ligam o bairro aos outros cantos da cidade. Quem fala comigo no MSN sabe que já faz algum tempo eu ando explorando cada uma destas trilhas e já achei pequenos tesouros escondidos nestas andanças.

Eu estava planejando uma exploração mais ousada. Arranjei vários mapas da região e estudei neles os caminhos que ligam o Alto aos outros grandes pontos turísticos da Floresta da Tijuca: A pedra da Gávea e o Corcovado. Estudei o nível de dificuldade das trilhas e estradas, as favelas próximas, os atrativos de cada caminho, a segurança, as zonas sem sinal de celular, o clima… Normalmente eu faço estas explorações sozinho, por isso é preciso tomar muito mais cuidado do que numa exploração normal.

Queria fazer a travessia da Floresta neste sábado com um grupo mas acabou ficando nublado o dia inteiro. Nublado aqui embaixo significa NEVOEIRO lá em cima. Nevoeiro é muito perigoso, é muito fácil ficar perdido, por isso a gente decidiu cancelar. E então no domingo, aquele sol, calor, resolvi fazer a exploração planejada sozinho.

Desci no Alto e ainda não tinha certeza se devia fazer esta travessia sozinho. Sabia que era perigoso, tinha várias favelas perto, eu seria presa fácil. Mas quando eu cheguei lá em cima eu vi um bando de periquitos verdes. Periquitos dão sorte, era o dia de atravessar a Floresta a pé.

E andei, sozinho. A estrada do Redentor, apesar de asfaltada, estava completamente vazia. O sol escaldante e a subida íngreme (era preciso subir pelo menos 3km para chegar aos picos da serra e então ver o outro lado) me faziam sentir muita sede. Mas era tudo tão bonito, tão simples. A Floresta me acalma e a cada mirante que eu passava (são quatro no total) eu via como esta cidade é bonita, apesar das pessoas.

Quando a subida acabou, entrei na estrada das paineiras, fechada para os carros. Agora não tinha mais volta, tinha de ir até o fim. Não tem como descrever a sensação. Só queria que tivesse alguém lá comigo para dividir. Passei ao lado do Cristo (mandei um abraço seu, Miss P.), vi a Zona Norte, a Zona Sul, até Niterói, lá de cima. Não sei porquê, mas olhando de cima parece que todos os problemas são pequenos. É que de tão longe não dá pra ver mais as pessoas e pessoas pequenininhas não dão medo a ninguém. E essa cidade vive com medo, sabe? Não sei se os cariocas conseguem entender o que é viver sem medo mais….

E fiquei lá, muito tempo sentado em um dos mirantes (o do andaime pequeno) olhando para a Lagoa Rodrigo de Freitas e o imenso mar que banhava Ipanema e Leblon, ao lado do Cristo. Parecia que o Cristo tava ali do meu lado olhando também, sereno e tranquilo. Foi redentor, na ascepção mas pura da palavra.

E então, quando os periquitos verdes voltaram, sabia que era hora de descer a serra e enfrentar minha vida de novo. Não tem tido muito poesia na vida não, ela anda meio ranzinza. Mas de vez em quando eu consigo dobrá-la e escrever poesia assim, misturada na prosa. Contando prosa eu me vou, eu me sinto, eu me solto, eu me sonho…

No total foram doze quilômetros do Alto da Boa Vista ao Cosme Velho (tem um mapa do caminho que eu fiz aqui). Doze quilômetros a pé, pensando na vida, na solidão tremeluzente, de vez em quando angustiante, mas que eu já me acostumei a sentir.

E me lembrei de cada um dos grandes amigos que fiz nestas andanças pelo mundo. Evita, Thiago, Wagner, Danilo, JuJu, Miss P, Lyrão, Cily, uns próximos e outros bastante sumidos, mas todos inevitáveis amigos nesta vida grandiloqüente. É preciso ser caminhante, caminhar. É preciso trilhar o caminho, navegar. É preciso navegar, é preciso. É preciso viver, precioso. É preciso, exato, formal, poético, matemático. É preciso, é preciso, eu preciso…

P.S.: Este fim de semana eu vou subir o Corcovado a pé e no outro acamparei na Pedra da Gávea. Alguém aí topa?

P.P.S.: Eu estou a fim de comprar um sextante e uma bússola profissionais. Alguém aí quer vender?

Abraços…

7 Outubro, 2008

A poesia sobrevive

Quem te viu?
Quem te vê?
Se sou eu, que restou?
Quem sou eu pra saber?
Quem lutou não lutou
Sem razão
Quem sobrou
Sobreviveu
Embriagou
E então
Será
A luz que tece
As faces nuas
Peles escuras
Breu errante e solução
Quem sou eu?
Quem vou ser?
Quem matar
Então
Quem matar
Então
Quem matar então!
A poesia geme e sublime
Sobrevive
Sobra-e-vive
Sobreviverá…

31 Agosto, 2008

Agosto

C        Am
O meu coração suporta sem saber
G/B            Am
Aguentar a solidão longe de você…
C        Am
O meu coração insensato, sem razão
G/B            Am
Prestes a estourar de saudade de você

G            F7+
E todo meu amor se espalha ao redor
G/B                C    G
E da saudade eu sei de cor
E da saudade eu sei de cor

C        Am
O meu coração só quer saber do teu
G/B        Am
Não vejo solução senão você e eu
C        Am
E tento esquecer, seguir minha vida sem você
G/B        Am
Mas nada faz sorrir senão teu rosto a me seguir

G            F7+
E todo meu amor se espalha ao redor
G/B                C    G
E da saudade eu sei de cor
E da saudade eu sei de cor

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Sim, são rimas pobres mesmo, mas foda-se. São de coraçõa…

20 Agosto, 2008

Geometria

Terra…

Quem me quer?

Terra…

Mal me quer?

Terra

Construção

Terra

Solidão

Terra

Canto e palavra

Terra

A vista assoberbada

Enterra

Encena o canto

Sibila e tanto

Brame o devenir

Terra

Quem me quer?

Guerra

Regeneração

Espera

Renega a solução

Esfrega

A cancela fecha

E então

Supera

A Terra

Seu caminho

Voa

Águia, água

Procurar

A terra pra pousar

E a terra

Posição

Terra

Simplificação

Terra

Treme-Terra

Aterro

Desterro

Desprezo

Delize

Desculpas

Destino

Destôo

Procuro

Mergulho

Esqueço o que sou

12 Agosto, 2008

Patty

 

Cai a noite e a solidão

Invade e vai cantar

Voar pelos caminhos mais insólitos

A dança louca

Que parte girando aqui

Só quer voar

Voar

 

E eu sou um

Um tiro de lua

Estrela cadente

Enfeitando o infinito

E giro na canção

Revolução

 

Terra de meus antepassados

Quebre com seu rito

O chão…

 

Nada vai cantar

quando o fim chegar

e eu me esquecer

de que eu fui

Fim

Fim

Infinitoparticular

Rodopio

9 Agosto, 2008

Ju

Um som de blues

Olhos azuis

Pensamentos crus

Alma reluz

Minha própria cruz

Conduz

A luz

Do sol

Que cai sobre mim

Pintou de carmim

Então mesmo assim

O fim

Enfim

Me conduzirá

Pra casa escura

Lua

Funda

Afunda

O devenir

Sangue, sangue, sangue

É pra você

Todo o vermelho

Da minha face

Espelho renasce

Faz crescer

Enfim

Sozinho

Me perco

Me acho

Me vou

9 Agosto, 2008

Bate estaca

vamo bater lata
bater bolo
batucada
na beira do precipício
vamo bater cara
abrir na marra
a situação
fazer sinestesia
é poesia
é insinuação
vamo ver de perto
verdugo, verdame
largo do verdun
ver a viradura
sacadura
é maré
que vira a via louca
ditadura
cala a boca
dá no pé
vamo dar risada
anistia
de qual é
é fazer loucura
fissura
formosura
igarapé
o mangue tá maluco
relógio cuco
que bate num segundo
sai de pulo
sai de ré
praia do recreio
leme
pontal
paranapanema
massacre
luta
no campo
na rua
na chuva
sapê
vamo vê
gingar
capoeira
no pará
o pontal
carajás
no pontal
tudo igual
jacaré
no pontal
tudo azul
zona sul
desessete
fita casseta
ak 47
cassetete
na cara do prefeito
é suspeito
é safado
proletário
bruzundanga
febre candanga
que vem zumbindo do céu
iluminando as sementes
fazendo do coro da gente
curtição
suspensão
suspirar…

30 Julho, 2008

pra ti eu invento palavras
umas nunca ditas
as quero pra ti
para tecer-te um poema
sem rima talvez
sem os nossos porquês
sem as ausências de nós
um poema que te aqueça os pés

sim, quero dar-te essas palavras
palavras tuas
que te sirvam de colo
um colo meu.

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Presente bonito de uma tarde solitária.

12 Julho, 2008

Don Chico Chicote

Don Chico Chicote
Rumou no cangote
Do cara de lá
Meteu compromisso
Perdeu o juízo
Matou o bandido
Tentou se matar
Don Chico Chicote
Virou meu mascote
Mascate, má sorte
A lebre de corte
No Maracangá
Don Chico Chicote
A faca quer corte
A paz que eu preciso
Pra revigorar
É sangue, quer morte
Do Chico Chicote
Da ponta da aba
Do chapéu panamá
Don Chico Chicote
O Padre te espera
Pra se confessar
Don Chico Chicote
Rumou para o norte
Batizou dois filhos
Pulou todos ritos
Sangrou dois cabritos
Pra raiva passar…
Pulou de um anjico
Pendurado o pescoço
Seu lábio, seu rosto
Irascível, balança no ar….

4 Julho, 2008

Colibri estelar

Temo o ciclo inconstante
Na valsa o verso pungente
Sempre andando pra frente
Seguindo o rumo de lá…

Temo aquele riso desfeito
Caminhos que se encontram no leito
Tortuosos pedaços de céu
Sacudindo o Baependi

Marcho na terra estradeira
Coração palpitando besteira
Vidas que ligam sensatas
Fugas que viram sonatas
Estradas
Fumaças
Furnais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Lágrima que segue rolada
Solicitude continuada
Errante no meio do fim

Eu quero da vida a faca sangrante
Palpite de lua minguante
A lança, que lança o veneno
O cego que imita o remédio

E nas nuvens escuras
Que se fundem em semifusas
Colcheias e sons demais…

A valsa
O samba
O Filme
Embalos de cartão postal…

Danço com o colibri
Lembro do que vivi
E torço pra não acabar
Jamais…

Para Aline, que nunca deixou de acreditar em mim…

20 Junho, 2008

Voltando

Além da imaginação
Olhos vulgares à espreita
Caminhos que se cruzam
Sinestesias encontradas
Beijos nus em sinuosidades…

Meus lábios fazem escuridão
Sopram ventos de mudança
Quebram o limbo dos vazios
Complementam-se
Tremem
Luzem…

E então, na minha Pasárgada
Rei que sou, respiro ilusão
Procuro variedades
Algébricas, geométricas
Afins…

29 Abril, 2008

Assim disse Zaratrusta

Cai a pedra do céu
E circula o chapéu
A voar sem parar
A saber procurar
Esquecer sem saber

Cai o pedaço e retrato
Outro beijo, abraço
Escondido no peito
Procuro o respeito
E vôo demais

Ai que me dói esquecer
O silêncio me mata
O barulho escapa
De perto sou nada
De perto sou tudo
Vagando no mundo
Fazendo palavras
Confissões amargas
Sou perto, sou certo
Sou ar

Ai que me dói o suspiro
Não nego, não faço
Não saio comigo
Não teço, não digo não!!!

Zaratrusta
Flor flamejante
Alma cadente
Estrela e balão
Zaratrusta
Revolução
Tremeluzente
No peito doente
Finco minha própria mão

Zaratrusta
Assim falou
Zaratrusta
Assim escreveu
Antes da morte
Antes do fim
Cadáver errante
Erra pra mim
Flor lacinante
Brilha demais
Alma cadente
Estrela fugaz

Zaratrusta
com seus morcegos
E espetáculos
Pontas dos dedos
Receptáculos
Mundo que gira
Nas páginas
Mais destemidas
Almas vazias
Tupinambás

24 Abril, 2008

Anestesia

Sebastião Salgado

Sebastião salgado – Açúcar

Quem sou eu?
Quem eu sou?
Se sou rei…
Que rei sou?
Ou serei?
Que restou?
Fim da noite…
Solidão
Carcará
Catamarã…
Corresponde a correr
De manhã…
Meu amor…
Diz pra mim
Jaçanã
Meu amor, diz pra mim
É maçã
Maracanã
Febre terçã
Meu amor diz pra mim
Só o fim
Que saudade do beijo
No ar
Que vontade
Maracujá
Que retrato escondido
Açucareiro
Febre do mel
Pesadelo
Febre da Terra
Machado guerreiro
Fonte de céu
Bruzundangas
Vales que viram montanhas
E eu nunca mais vou chorar
As balas riscando o ar
Me fazem poeta vindouro
Amando na fé o tesouro
De ter de viver sem chorar
De ter de viver sem chorar
De ter de viver sem chorar
De ter de viver sem chorar
De ter de viver solidão
Minhas lágrimas molham o chão
É chuva que corre o sertão
É sorte de te encontrar
Me manda pra vida esperar
Me traz bem pra perto do fim
Me ensina a dizer só sim
Me ensina a entender meu amor
Me faz suspirar de sapé
Da ponta da rua é que é…
Me dá um pedaço de tu
Andando na ponta do pé

12 Abril, 2008

A um amigo…

A tristeza tomou rumo e ficou aqui, doendo certamente e tão profunda. Sofro, sofro e vou errando só pelos caminhos dessa vida. Sou eu, que ando intranquilo pelas ruas, procurando nas pessoas a felicidade que só vem se eu estou contigo. Meu coração suporta tanto, mas se perde sem saber, se é amor profundo ou desengano, se as palavras que eu disser permanecerem e viverem e souberem mais que eu…

Ah, imensidão da vida. Traz pra mim alento e consolo, faz com que eu perca a insegurança, tira de mim toda dor que me envolve, faz de mim alguém que nunca chore, e depois quando sorrir e procurar meus pesadelos, faz de mim mais que um espelho, faz de minhas lágrimas o corpo inteiro, para lavar-me e secar-me, verdadeiro, pra desculpar as crueldades do meu ser…

E eu então partilharei meus sonhos mais fiéis, palavras que não se dizem nos bailes, nos bordéis, escadarias das igrejas infestadas de pecados, pecadores humilhados, suspirando por consolo, por agrado, por uma boca que lhe quer…

Devolva-me o amor de minha vida que perdi, vida que separa cruelmente os amores mais sensíveis, apieadai-se por mim que sofro já há mais de mil sóis…

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Para um querido amigo que traz no seu peito toda a dor do mundo, a dor de perder o verdadeiro e único amor. Que ele encontre nestas palavras, senão o consolo, pelo menos solidariedade neste momento tão difícil.

Força irmão, força…

1 Abril, 2008

Dor

 

Se estiver bem, vendo o céu de nuvens enormes, horizontes vermelhos no fim da tarde, sem medo de morrer, estarei bem.

Estarei tranquilo e descansado. Sem medo. Sem dor. De volta para casa, onde o coração bate forte e as mãos tocam delicadas o céu.

15 Março, 2008

Multidão

A escuridão despedaçante

Surrupiava o entendimento

E conseguindo o conseguinte

Me encontrava ao inconseqüente

Na esquina estonteante

Da solidão tremeluzente.

Poetizando à meliante

Que me cantava ao sol nascente

Concretizei o absurdante

Coesão absorvente

Marca de punho lacinante

Suavizando a alma carente

 

Subúrbio frio, gotas de lágrimas

Das mulheres amordaçadas, salgadas

Presas que estão a meus caprichos.

Inverto a ordem, crio ritos

Própria e delicada liturgia

Seguindo o cio, cruzando o rio

Inócuo da minha luxúria.

Gozo, que o gozo aumento o saldo

Flutuando pelo alto

Das pernas abertas de minhas amadas.

Ando, que o compasso inventado

Do som sincopado dos pés

Absolutamente revigora

O sentido mágico das mudas palavras

Que elas soltam aos toques dos meus lábios.

 

E então, vazio que fico de mim mesmo

Procuro ardente o beijo

Desesperador da única que me completa

E me perco no silêncio e dor

Vítima que sou da solidão indescritível

Solidão de multidão