Maracanã

 Já sei, vocês não acham nada demais olhando de casa, com um monte de replays e com a narração entusiasmada do Galvão. Também devem achar o cúmulo do absurdo ir prum estádio lotado pra ficar sendo empurrado, jogado, levantado e vendo o jogo de longe, apenas tendo uma idéia do que está se passando ali.

Não, vocês não fazem a menor idéia do que é um jogo no Maracanã lotado. O estádio pulsa, as duas torcidas num jogo mágico de emoção e beleza, se embatem num duelo épico pra saber qual das duas alcançará os céus e terá a honra de ser agraciada pelos deuses do futebol. Quando as torcidas cantam é como se um exército de anjos nos tomasse e, com voz retumbante, cantassem hinos de glórias a heróis destemidos: os jogadores.

Há aí uma dimensão mágica, quase simbólica. O Homem, tão pequeno e frágil tem, por alguns momentos, a oportunidade de se fazer deus, no instante mágico entre o cruzamento e o drible. E então, a torcida admirada, vibra a cada toque, a cada pedalada, a cada tentativa bem-sucessedida de avançar, nem que por alguns metros, na direção do gol.

E quando ele não vem, ah, que tristeza! a vida fica mais humana, mais monótona, mais medíocre: a ilusão acaba. Porém, quando é gol no Maracanã, nas noites de lua cheia, eu sinto que até nos aviões que passam fica a certeza de que o mundo é só glória, é só salvação. E no tremor cataclísmico que sucede o momento eternizador, um homem se faz maior que todos os outros e leva toda a torcida ao êxtase.

E a lua vem ficar bem pertinho, assistindo de camarote, numa noite clara de abril, enquanto os homens brincam de sonhar que são eternos.

Me desculpe o Galvão, mas ele nunca conseguirá passar pela televisão a emoção de 70 mil pessoas, indo quase às lágrimas. Só quem já foi ao Maracanã lotado, numa noite clara de abril, sabe do que estou falando…

Faltou só o gol do Romário…

Mas se fosse perfeito, pra quê eu precisaria dizer?

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3 pensamentos sobre “Maracanã

  1. Vixe. Eu entendo perfeitamente isso do êxtase de uma multidão em uníssono. Mas você sabe, beibe, como eu detesto pessoas demais suadas e SE MEXENDO. Mais de cem pessoas é gente demais…

    [E o gol do Romário NÃO FOI em cima do MEU Botafogo! Há há há hahahahahahah]

  2. ah Poeta, o Gavião Bueno é um chato. Ainda bem que temos você para passar através de palavras tão inspiradoras a sensação de estar lá.
    E a foto? Linda!!!!
    Valeu, não gosto muito de futebol, mas este post está bacanérrimo!!!!
    🙂
    xêro!

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