Zurê

Pescador

Fonte: http://www.aldinaduarte.com/

Quem fô me vê
Me envenená
Me ensiná
A vê o céu azú…
Quem fô me vê
Vai me chamá
Vai me lembrá
Dos tempo que fui
Sangue de café
Escorrendo pelas costas
Vai me lembrá
Vai me fazê chorá
Cumê do pão
Que é dô
Tanta dô
Que peito silenciado
Joga-se nas brasas do inferno

Nossa Senho-o-o-ra
Virge mãe do sinhô-ô-ô
Ensina eu a nunca mais chorá
Ensina eu a num lembrá da dô
Carinha eu, como carinhô eu fio
Mainha preta do meu eterno amô!

 

E meu sinhô que faiz milagres tantos
Traz o meu peixe, num deixa ele fartá
E se fartá, sinhô, me faiz mais forte ainda
Pruquê pro sítio, num vô mais vortá
Se for pecado, perdoa teu filhinho
Nossa sinhora sabe que sõ quero
Silenciar

 

ZURÊ-ZURÊ
JUREMA-JUREMÁ
Vou te levar um bom lingüado
Temperado de suor
Nem que espere neste barco
Dia e noite, sol a sol….

 

* Zurê é um pescador negro.

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9 pensamentos sobre “Zurê

  1. Esse poema me fez lembrar e viajar no tempo das leituras do escritor paraibano José Lins do Rego.

    Você deveria entrar para Associação Brasileira de Letras, mesmo sendo matemático.

    Abração!!!!

  2. Pô…fazia tempo que eu não visitava sua casa blogueira…
    gostei de tudo que eu li…
    tinha me esquecido como vc era talentoso….e de como a gente se matava de rir no msn…
    beijos, meu poeta matemático favorito!

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