Auto-retrato

Auto-retrato…

 

Sente o horror indescritível

Quando tudo que é teu despenca

E grita ensandecido e torpe:

É a faca augusta do pesadelo

Que te anuncia no cartão postal

Nos ventos intermináveis dum inverno

Caudaloso

 

Eu que sou impossível

Renasço primaveril no horizonte

Quando me sufoco em simplicidades

Tornando nuvens a rotina

E inflingindo vulgaridades no sorriso

Antes que o pacato eu me destrua

E vivo, funde o futuro

Com a previsão mais sombria

 

Sou o regaço que te engole

Tomando-te para mim

Mãe macho que te acompanha

Num acalanto póstumo

Numa rotina memorial

Que dobra e dobra

No ritmo cadenciado da capoeira

 

Gingo engolido do som

Introspectivo e sublimado

Sou o resto frio de um orgasmo múltiplo

Entre mim e o infinito…

 

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5 pensamentos sobre “Auto-retrato

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