Cerrado em Agosto

Vento seco é dor que doma

A garganta e traz o ópio

Quando meus olhos choram

E meus calcanhares rachados sangram

Produzindo pegadas vermelhas

Onde passam

 

Sou um caminhante solitário

De lábios ressecados

E com uma sede do tamanho

Da vontade de que chegue

A chuva e com ela eu deixe

De ser uma sombra de infinito

 

Enquanto isso eu sofro

Atravesso as avenidas

E roubo beijos das esquinas

Acinzentadas e vermelhas de pó

Onde dormem os caiporas

As cucas e as cascavéis

 

Sou um retrato de deserto:

Parte de mim é tempestade

Parte de mim é cacto

Parte de mim é duna

Parte de mim é oásis

E eu sou todo céu azul

Um mar de ilusão sem nuvens

 

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7 pensamentos sobre “Cerrado em Agosto

  1. “Segue o seco sem sacar que o caminho é seco, sem sacar que o espinho é seco, sem sacar que seco é o Ser Sol. Sem sacar que algum espinho seco secará e a água que sacar será um tiro seco e secará o seu destino, seca.”

  2. Olá, amipoetamatemático,

    O Lume ficará no mesmo endereço; disse que estava começando uma nova história porque apaguei todos os posts antigos e porque estava há um tempo, distante da poesia. Agora, de casa limpa, retorno. Mesma casa, outra Luzzsh. 😉 Obrigada por me visitar. Portas do Lume abertas; sempre. beijos.

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