Noite de Ano Novo

Fogos de Artifcio

 

Lágrimas vazias colorem

A madrugada quente de ano novo

Toda a tristeza que sinto não muda.

É um silêncio vazio e constrangedor

De cemitério, de redemoinho.

 .

Tento dormir e não consigo

Meus braços balançam solitários,

Rios de ressentimento e solidão,

Barcos parados no vácuo:

Símbolos dos meus sonhos

 .

Bebo até o fim de mim

Decaio até o maior grau

Beirando a loucura

Experimentando até o fim

A dor maior que existe

 .

E, quando finalmente durmo

Não escapo à depressão

Deixo-me ir, andar, devagar

Deixo-me ficar insensato

Inseguro e delicado

 .

Não quero mais lutar

Prefiro ir no meu caminho

Cálido, errante, sozinho

Tomado de toda a dor do mundo

Tentando aplacar a sede de mim

 .

Preciso de oxigênio

Força, luz e sentido.

Preciso agora do beijo delirante

A sensação que busco

Para caminhar, mesmo trôpego

 .

E então, quando acabara tristeza,

E a melancolia desaparecida

Deixar de ter as marcas estampadas

Nas minhas avenidas

Vou voltar a andar nos meus becos

A buscar meus olhos nos espelhos

Vou voltar a correr pelas ruas

Com os cabelos bagunçados

Os olhos sentidos e o coração

Dilacerante, batendo sem bater…

Para Patrícia Costa…

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7 pensamentos sobre “Noite de Ano Novo

  1. O poema é lindo; dolorido, e belíssimo.

    Espera, amigo poeta, que há sempre aurora. Ela tarda às vezes, mas sempre chega. Até mesmo para os incautos poetas.

    Beijo.

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