As Crônicas do Vale da Morte

Pouca gente sabe, mas criei um blog novo. Engraçado isso, vai até parecer que eu estou copiando uma outra pessoa muito querida, mas resolvi contar algumas histórias de família. Andei viajando com meu pai essa semana e vi bastante coisa dos meus antepassados, muitas histórias interessantes que resolvi dividir com vocês…

A parte do meu pai da família é de uma região goiana chamada Vale do São Patrício que engloba dezenas  de rios, riachos e regatos, na região nor-noroeste do estado de Goiás. É a região mais fértil do estado, onde planta-se de tudo e que abastece todo o Distrito Federal. Existem principalmente plantações de cana, arroz e grandes fazendas de gado de corte, muitas delas no sistema semi-intensivo. É uma região próspera que sofre com conflitos agrários há várias gerações.

Meu pai vem de uma família bem pobre, de trabalhadores rurais. Quando jovem, trabalhava nas fazendas da região no que desse, colhendo arroz, cana etc. Vivia no mato, caçava os animais que haviam na região e tinha uma vida bem difícil. Foi o primeiro a sair de lá, foi pra Brasília e venceu.

Somos de uma família do cerrado, acostumada à seca, à fome e a contar com o pouco que havia. Sobreviver sempre foi uma luta, desde sempre.

Nessa viagem eu conheci dezenas de parentes afastados. Suas histórias são lindas. Seus exemplos de vida (e morte) são fantásticos.  Resolvi escrever suas crônicas para que elas não se percam.

Um detalhe interessante que percebi é q as grandes reflexões de família aconteceram nos momentos de morte. As Crônicas do Vale da Morte são uma tentativa de mostrar o legado destes homens e mulheres, de como suas mortes e vidas mostraram caminhos, mudaram vidas, foram decisivas para que o hoje fosse como é.

As Crônicas do Vale da Morte são um grito dos excluídos. Minha família representa milhares de outras famílias rurais pelo Brasil. Sua cultura, seus medos, suas esperanças, suas derrotas e vitórias podem ser reconhecidas por muitos que viveram e sofreram coisas parecidas.

Principalmente, as Crônicas do Vale da Morte vêm para ser um grito de vida. A morte é vista com dor e preconceito. Pretendo aqui mostrar que existem outras maneiras de ver o assunto. A morte é uma redenção. Pra muitos, a morte é o único momento de liberdade que é permitido. É o único momento em que não temos de dar satisfações a nenhum coronel, nenhum prefeito, nenhum chefe de polícia. É na morte e só na morte que podemos olhar pra dentro de nós mesmos e reconhecer a luz de Deus.

Meu povo é cristão, tem uma grande fé em Deus e uma grande esperança de dias melhores. Meu povo peca, sofre, mata, morre, mas espera. Espera uma chance, um dia, espera a chuva redentora que trará alegria no cerrado seco de agosto.

Meu povo espera o florir do ipê, rezando a Deus para que a seca não dure muito. Rezando a Deus que tenha piedade de seu povo sofrido e que faça, com Sua mão divina, com que todo o sofrimento vá embora.

As Crônicas do Vale da Morte são uma mistura de tudo isso. Espero contar com a visita de vocês para que possam dividir comigo tudo isso. Peço perdão se ainda não consigo escrever muito bem em prosa. Eu sou um poeta, é difícil não ser prolixo, nem contar muitos detalhes. Como as histórias são todas reais, também é difícil também que algumas histórias fiquem interessantes.

Espero que vocês vejam tudo por outro lado. As Crônicas são um grito meu e um presente para todos vocês.

É provável que este blog fique um pouco abandonado durante este período. Quero me fixar em aprender a escrever em prosa. Conto com o conselho e a ajuda de todos vocês e, principalmente, paciência enquanto eu passo por este momento de transição da poesia para a prosa.

Se não quiserem eu entendo.

Amo cada um de vocês.

Abraços

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7 pensamentos sobre “As Crônicas do Vale da Morte

  1. Puxa, que bacana você se dedicar a resgatar a história da sua família…
    A morte, meu caro, faz parte da vida, nénão?
    Sorte a sua, ainda ter tantos familiares vivos e dispostos a contar sua história
    Vou acompanhar as crônicas do vale da morte….
    Sorte e saúde pra todos!

  2. Eu não sei o que é prolixo, só acho uma palavra meio feia, hehehehehhe!

    Mas já tá no GReader, vou ler sempre que der, posso não acompanhar tempestivamente, mas… vc sabe. Enfim.

    Eu tb amo tu!

  3. Puxa, que legal que vai escrever sobre sua família! Acho muito válido termos esse registro, mesmo que poucos se interessem!
    Adoro as poucas ‘prosas’ que você coloca aqui: você consegue preenchê-las com poesia! Como o texto acima! 😉

  4. Interessante, foi extamente o que pensei quando lí a respeitto do Novo Blog/ Lembrou-me, Blé!Aquela que nãda sabe escrever a não ser …. Blé!/Acho que estou gastando meu Latim… Com quem não sabe o que quer./ Fazer o que, então?/ Largar de mão, na contra-mão!/
    Beijinhos…. Muito docinhos!

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