Onde

Onde existe fim,

Existe dúvida e medo,

Onde existe glória e caos,

Onde dormem os filhos,

Onde pousas os pés,

Onde voam os sonhos,

Tocam os sinos,

Balançam os cabelos,

Venta.

 

Onde existe a fortaleza

E a dúvida

A certeza

E a paga

A monarquia

Ingrata

A poesia

Desaparecida

 

Onde há amor

E fúria

Feridas pútridas

Carnes

Cálices

Sapatos

Prendas

Rendas

Amores

Cores

Fuligem

Carniça

 

Onde existe o verso

Errante, incerto

Impresso

Absoluto

Qual luva

Luar

Lácio

Indeciso enquanto fácil

Lábios

Beijos

Sinestesias

 

Onde estou?

Quero da boca o abraço

Da dúvida a impetuosidade

Do inteiro a metade

Facas, soldados, desembaraço

 

Quem me vê dando nome às flores

Queridas, jasmins, perdigueiros

Nada se perde em janeiro

Meu sangue esvaindo-se em Açores

 

Lembro de ti, esperança

Avisto-te que não brado

Respiro

Facas cortando

Zumbidos

Flácidas nuvens

No céu

 

Onde estás? Onde?

Procuro-te nas flores

Nos véus

Nas imagens santas que me cercam

Nas avenidas

Nua

Perdida

Incólume

Decidida

 

E quando te achar

O desespero, embora me acompanhe

Dar-me á alívio

Mesmo que me domes

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