A fuga das horas

Três horas da tarde

Toca o relógio

E me avisa que é o dia

Que é chegada a hora

De ter de aceitar o que eu mais temia

Na fuga das horas

Das horas do dia

E corro parado

No meu pensamento

E cada segundo parece um tormento

Esperei tanto tempo

Que já não sabia

Que a fuga das horas mudava minha vida

E enquanto esperava mudava meus planos

Navalha na carne, os olhos em pranto

Esperei tanto tempo

Que já não sabia

Se na fuga das horas

Ficava ou me ia

No rosto suado, visava miragens

A fuga das horas mudou minha imagem

Eu quero ficar, eu não posso voltar

Mas passos me guiam

Não quero estar lá

Na fronte a certeza de um desafio

O tempo não para, engatilho o fuzil…

.

.

.

A certeza que tenho não escapa de mim

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

Três horas da tarde toca o relógio

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

Me avisa que é dia, que é chegada a hora

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

Não há nada de errado, nada por mim

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

Um recanto seguro, um querubim

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

Não quero mais ir, eu não posso voltar

Assim seja, assim seja, assim seja, é o fim

O padre dizia: assim seja, assim seja…

Amém…

 

 

Esse poema foi escrito há muito tempo atrás, quando eu era um jovem rapaz com planos de ser músico. Na verdade é uma música que conta a história de um assassinato.

 

 

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7 pensamentos sobre “A fuga das horas

  1. Primeiro de tudo que adorei o título e adorei a imagem. Adorei também o poema, parece que somos guiados, escravos do tempo, das horas, minutos, segundos…

    “Na verdade é uma música que conta a história de um assassinato.” Desde a parte do “O tempo não para, engatilho o fuzil… ” isso fica bem mais claro.

    Com sempre, um ótimo poema, Poeta!

  2. Além de escrever textos e poemas maravilhosos, ainda consegue escrever músicas maravilhosas? Estou sem palavras ok. Gostei muito, principalmente dessa parte:

    “Navalha na carne, os olhos em pranto

    Esperei tanto tempo

    Que já não sabia

    Se na fuga das horas

    Ficava ou me ia ”

    Está de parabéns, como sempre!

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