400

Então pessoas, hoje é um dia especial. Este é o 400º post deste humilde, porém limpinho, blog. Eu sei que as coisas mudam. Muitos dos que vinham aqui antes não vêm mais e boa parte só lê este blog no reader, quando lê. Sei que os temas que tratamos aqui muitas vezes não são populares, mas são minhas palavras, da maneira que eu sinto.

Mas não são só minhas. Quando resolvi fazer este post, comemorando todo este tempo que estamos aqui, juntos, produzindo comentários e nos emocionando com as palavras uns dos outros, eu vi que muito do que foi feito aqui são homenagens às pessoas que passaram a fazer parte da minha vida por causa deste espaço. São vocês que me inspiram e me fazem inventar temas tão loucos para colocar aqui. Então, na verdade, é para vocês essa comemoração de 400 posts.

Por isso, resolvi separar 20 dos meus posts mais importantes. Eu não escolhi por serem bons, escolhi porque foram importantes em etapas da minha vida que eu resolvi compartilhar com vocês, que são parte dela. Já digo que escolher 20 foi uma grande dificuldade e tive de deixar coisas importantes de fora. Mas seleção é isso, né? É uma escolha.

Então aí vão os vinte posts prometidos. Espero que gostem e vivam de novo comigo essas experiências fantásticas que são a vida. É uma retrospectiva dos meus últimos cinco anos.

 

1 – Paz

Esse foi meu primeiro poema-homenagem e foi muito emocionante pra mim escrevê-lo. Ele foi para o diplomata Sérgio Vieira de Melo que morreu num atentado terrorista à sede da ONU no Iraque. Eu fiquei tocado e emocionado com a história de vida dele, de uma pessoa que dedica sua vida a fazer coisas boas e que, não fosse a morte, seria mais um anônimo.

2- A Teoria dos Cachorros Assassinos

Esse é um poema muito doido dentre os primeiros que produzi, e que gosto muito. Engraçado é que, quando terminei a tese, fiquei caçando um poema pra pôr na epígrafe, que eu gostasse. Depois de anos, reencontrei esse poema perdido no blog. Li, e adorei, porque é pequeno e ia caber direitinho na epígrafe. Acabou virando importante pra mim, tanto é que tenho ele decorado…

3- Morbidez

Ok, resolvi deixar os poemas mais tristes [e clichês] de fora, porque esta é uma comemoração. Mas esse, apesar da baixa qualidade do texto, sempre volta pra minha cabeça de vez em quando, sabe? Eu não consegui passar poeticamente o que eu queria, os olhos frios de catatônico, mas esses olhos me perseguem na tristeza e solidão. Por isso, este poema tá na seleção.

4- Abril Manauara

Ah! Esse é um dos meus poemas preferidos! Não é um dos bem-escritos. Minha poética nessa época era muito rudimentar, sabe? Mas ele é o registro do meu primeiro encontro blogueiro, em Manaus. E eu estava lá, no bar do Armando, perto do Rio Negro, naquele calor, tomando cerveja e sentido os cheiros da Amazônia. Ok, não é um bom poema, mas ele sempre me faz lembrar daquele dia especial, com pessoas especiais.

5- Para Amadas Mulheres

Ao longo do tempo, este blog prestou muitas homenagens a várias pessoas, principalmente mulheres, que me inspiraram. Olhar de novo os poemas pra essa seleção foi relembrar as sensações que eu tive quando escrevi essas coisas. Esses quatro poeminhas são pra quatro gurias muito especiais que estiveram no meu caminho desde então. E elas mereceram cada linha dos vários poemas que escrevi pra elas. Por isso, fica aqui o registro…

6- A Faca que Matou José Augusto

Esse poema ficou uns dois anos na minha cabeça. De vez em quando eu pensava neste mote, de uma faca profana que sobrevivia ao tempo. E pensava em José Augusto, esse nome sonoro, que diz tanto. O primeiro verso não saia da minha cabeça “a faca que matou José Augusto ainda continua ensanguentada”. É meio que um poema sobre impunidade, religião e sobre a vida profana que as pessoas levam. É uma epopéia sobre sangue e facas, que me lembra também uma tentativa de suicídio que tive aos doze anos. De certa forma, escrever este poema, que saiu finalmente numa tarde de outubro, foi me livrar das sensações que me atormentaram todos estes anos. Por isso ele é especial pra mim, e ainda retorna pra minha cabeça muitas vezes.

7- Peça Poema

Quem tá aqui a mais tempo sabe a dificuldade que foi escrever isso. Era pra ser uma peça em três partes, que depois foi sendo mudada pra se adequar ao texto. Virou um poema enorme, com homossexualismo, amor, guerra, estupro e morte. Mas é de uma cadência poética admirável. Na verdade, me orgulho muito de ter feito este poema. Ele fez diferença pra mim. Me mostrou que eu podia explorar outros meios, sonoridades. Tem um sub-poema no meio: assim dizem os generais, poema épico que também me enche de orgulho e que foi meio que explorado em um texto que li sobre o que o Conde D’Eu fez na guerra do Paraguai. Claro, é cheio de clichês e a história se perde em muitos momentos, mas gosto do texto mesmo assim. Faltam as gurias que queiram encená-lo, hehehe.

8- Saudade

Ah! Este é lindo! Este diz muito sobre mim. Eu fiz este poema pra dona namorada e sobre minhas imensas saudades, morando no Rio e vivendo longe dela. É um poema muito bonito, mas na verdade ele é uma canção que eu nunca consegui musicar, porque é um samba. Tem partes que eu acho lindas “e vou conhecendo a cidade / pedaço e vontade/ favela e mar…” “e hoje quem chora sou eu, pois ela não me esqueceu”. Eu me pego cantarolando isso de vez em quando, assobiando. Ele sintetiza esse momento de paixão, de solidão, de trabalho e saudades… este eu tenho muito orgulho de ter escrito.

9- Favela

Este é surpreendente. Este post já foi visto mais de 400 mil vezes. É o meu post mais visto, mais copiado e mais citado em outros blogues. Para vocês terem uma idéia, ele já esteve em uma exposição em Paris sobre o favelário brasileiro e sua beleza (sim, isso é verdade!). E eu não dava nada por ele. Simplesmente era uma inspiração sobre uma visita que tive ao Dona Marta, quando vi crianças jogando bola. Não o acho particularmente especial. Mas acabou virando popular. Vai entender…

10 – Dona Liroca

Dona Liroca é um dos meus poemas alegres preferidos. Nessa época eu tava buscando uma sonoridade mais popular. Então esse poema pra mim tem um som meio “vamo batê lata”. Tem várias expressões populares, barbarismos e etc, mas eu gosto muito. Dona Liroca é o nome que eu dava pra uma baiana que vendia acarajé a feira da praça Saens Pena, na Tijuca, perto de onde eu morava. Eu nunca soube o nome dela de verdade, por isso chamava de Liroca. É isso, por isso é especial.

11- De Amor

Ah, mais um poema de saudades. E é melhor não falar mais nada sobre ele, hehehe.

12 – Mistureba

Esse poema eu acho muito legal. É sobre um cara que encontra Brigitte Bardot na rua. Bom, o que ele tem de maneiro é a sonoridade, as rimas inesperadas e o tom bem-humorado. Gosto muito…

13- Embriaguês

Esse poema diz muito sobre o momento difícil que eu tava vivendo no Rio. Vivia bêbado, quase todas as noites eram duas doses de uísque, para poder escrever a tese. Eu estava triste e só e dona mulher estava me deixando. Mas as coisas passaram, terminei minha tese e estou aqui feliz de novo.

14- Pontisan

Pontisan é desses textos que a gente escreve sem esperar nada por ele e, de repente, fica apaixonado pela história. Ele foi inspirado na leitura de Por Quem Os Sinos Dobram do Hemingway, que conta uma história muito parecida com essa. Este texto fala de guerra e desesperança. Na verdade, o que me atrai na história é que ela fala da guerra civil espanhola, que foi uma guerra onde pessoas do mundo inteiro se juntaram para defender um sonho comum [Hemingway e Orwell lutaram lá]. Foi a última guerra dos anarquistas, que depois disso foram quase extintos pelos movimentos socialistas do século XX. Também foi um ensaio para a II Guerra Mundial. O quadro Guernica, do Picasso é uma síntese dos sentimentos contraditórios que a guerra civil trouxe. Bom, eu gosto e pretendo escrever mais em cima disso um dia, rsrsrsrs.

15- Foi há 25 anos

Este é um texto que narra como foi meu nascimento. Sim, eu nasci morto e cego. E sim, foi emocionante assim mesmo. Tem alguns fatos que são só suposições, mas a história sobre a minha tia que me deu uma santa é verdadeira.

16- Mármore, Granito, Cimento e Terra.

Pois então, esse é um texto importante pra mim, também. É sobre a mesma tia do foi há 25 anos, que morreu de câncer. Foi sofrido, doloroso, passar por tudo aquilo. Mas foi necessário. E este texto é uma homenagem justa a tudo o que ela significou pra nós.

17- Retrato

Ah, esse é um desabafo! Um grito, um gemido. Sem métrica, sem rima, sem nada. As palavras vão ali batendo umas nas outras. Foi exposto, explodido. É um não-poema, uma negação. É isso e tudo mais. É lindo… E ele me lembra uma música que aprendi para cantar no coral da UnB sobre uma pomba que errou seu caminho. A música tá no vídeo do youtube.

18- Cartola

Que dizer deste texto? Eu acho lindo, eu acho cativante e tenho orgulho de ter escrito. Também diz muito sobre mim, minha mania de ser tímido. Outro ponto legal é minha “redescoberta” do Noel Rosa. Eu morava perto de Vila Isabel, que era o bairro onde morava o Noel Rosa, que tem várias referências a ele. Pra mim, Noel é uma das bases da música popular brasileira e o samba que tá no texto é um dos mais lindos e tristes que eu já vi. Ele é, pra mim, um dos pontos altos do samba do começo do século. Então o texto foi só pra dar um motivo pra mostrar o samba. Acho que eu consegui.

19- Stone and Rose

Este é um texto em inglês sobre o amor bonito entre uma rosa e uma pedra, que na verdade são duas pessoas de verdade que se amam apaixonadamente e me inspiraram. E se elas quiserem que falem mais sobre isso nos comentários, hehehehe.

20- O primeiro Rock And Roll Star

Pra terminar, uma comédia. Este é um texto sobre Pitágoras!!!! Hehehehe, eu gosto muito dele, as coisas que estão ali nas entrelinhas e ele fala de minha paixão por história e matemática. Por isso, ele encerra a seleção.

 

Bem, só finalizando, agradeço a vocês por me aturarem todos estes anos. Não sou um bom poeta, nem um bom escritor. O que tá aqui é só sentimento, que eu divido com vocês dia a dia. Por isso, este é um post pra vocês. Então não tenham vergonha de colocar as impressões em comentários,

hehehehe

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5 pensamentos sobre “400

  1. 400 posts é muita coisa, parabéns por todos os textos lindos! (Os que eu não li, julgo que uns 360 ou mais, haha, eu ainda irei ler, começando pelos que estão aqui nesse post). Bom, eu te considero sim um ótimo poeta e um ótimo escritor, mas isto está ligado diretamente aos seus sentimentos, por isso tudo o que você escreve sai assim, tão bom, verdadeiro… Tão magnífico, ah! *-*
    Aprendi a te admirar bastante pelas coisas que você escreve, pelos pedaços da sua vida que eu conheci e por você mesmo, é. E nem sei porque tô falando isso, HUSAHAUH, mas ok, é, gosto de você. Dos 20 textos citados, li 4, e eles são maravilhosos, maravilhosos, maravilhosos! *-* E quando eu vi o “Stone and Rose” ali meus olhinhos brilharam!
    Ah, Poeta, você é um lindo! *-* E espero que seu blog chegue, pelo menos, aos 500 posts, yay!

    Beijão. E PARABÉNS, novamente ♥

  2. Li poucos textos dos citados, e nem imaginava que você teria tantos posts! Parabéns por tudo isso! Fiquei impressionada com o “Favela”, gostei muito da simplicidade dele e de quanto sucesso ele atingiu. Parabéns, de novo. E bem, meus olhos brilharam muito quando vi o “Stone and Rose”, muito lindo você ter colocado este entre os 20. Continue com seu blog maravilhoso, e espero que seus textos continuem sendo reconhecidos e elogiados, porque você realmente merece.

  3. Parabéns! Realmente é um marco histórico! Lendo teu relato, percebi que não acontece apenas comigo… há poemas que marcaram minha vida, mas são rudimentares, frutos dos primeiros passos na arte. Hoje me pego pensando como é bom que seja assim! =) Podemos perceber o quanto evoluimos e o quanto ainda temos a caminhar. E o mais gostoso, com certeza, é fazer esta caminhada, seja lá para onde for… Beijo grande e que venham muitos mais poemas repletos de histórias pra contar!

  4. Meu grande amigo,
    Para mim é uma satisfação enorme ter acompanhado parte importante dessa trajetória sua na blogosfera. Ultimamente ando afastado do ambiente, pelas que razões sobre as quais já conversamos. Mas fico feliz de ver vc firme e forte, e sobretudo ainda sendo lido. Isso é muito importante pra um blogueiro. Espero poder voltar não só a escrever em breve, e acima de tudo, mas como também a interagir com os pares.
    Abraços.

    T.

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