Olho do Tigre

Hoje eu revi um filme que tá entre os preferidos e resolvi compartilhar com vocês. Provavelmente ele não deve estar entre os preferidos de vocês, até porque não é um filme reconhecido nem pelo roteiro, nem pela fotografia, muito menos pela qualidade dos seus atores. Na verdade o filme é ruim mesmo, mas eu gosto dele pelo que ele significa.

Figura 1 – Acabadão o Stallone

Ok, podem zoar.

[Este post foi interrompido para que o autor pudesse ser zoado. Voltaremos em instantes com nossa programação normal].

Acabaram? Beleza, agora deixe-me falar porque o filme é um dos meus preferidos. Ele é um fim, muito bonito para uma das séries mais rentáveis e conhecidas da história do cinema, a série Rocky. Mas o que ela tem de especial?

Eu sempre me perguntei isso. Na verdade, fiquei mal-acostumado de ver, na sessão da tarde, sempre o mesmo filme horrível que não faz jus ao resto da série. Para mim, Rocky IV é de longe o pior Rocky já feito.

Figura 2 – Esse Shortinho fica melhor no Apolo Creed

E você pensa, por causa disso, que a série toda é assim. Ledo engano. E, por causa da estupidez da Globo de insistir em mostrar o pior filme da série, eu passei anos sem nem chegar perto destes filmes.

Mas aí descobri que o Rocky I ganhou o Oscar. Ok, podem me xingar de hipócrita, mas eu fiquei encucado tentando entender como é que um filme desses poderia ganhar um Oscar, afinal de contas é um filme de boxe e, convenhamos, não conhecemos muitos boxeadores por aí que sejam bons exemplos…

Figura 3 – Vocês têm orelha de gente pra vender? Deu fome…

E, claro, fui procurar ver o filme. Caralho, Rocky I é uma pintura. Ok, Stallone nunca vai ser um Godard, mas foda-se, cinema não é apenas pra exercitar o intelecto. Cinema é, muitas vezes sentimento. E, puxa vida, Rocky I é uma porrada na cara [desculpem o trocadilho].

Não, não tem lá uma grande fotografia, já que era um filme de baixo orçamento, mas e daí? Eles mostram as ruas decadentes de uma cidade americana qualquer, mostrando como os de baixo vivem. A Filadélfia de Rocky não é uma terra de oportunidades, é uma terra de vagabundos maltrapilhos que vivem esquecidos por Deus. Ok, tem aquela música monumental e inesquecível que eu recomendo vocês deixarem tocando enquanto continuam lendo o post.

Que, claro, deu um puta impacto pro filme. Mas o que conta mesmo é a história. Não, não é um drama sheakesperiano, não tem grandes surpresas. É a história de um cara comum, que nunca teve uma chance na vida e que um dia é desafiado a lutar com o campeão do mundo, o lendário Apolo Creed.

Ele tinha uma chance. Uma única chance e ninguém acreditava nele, nem ele mesmo. Mas ele decidiu aproveitar a chance mesmo assim, agarrou-a com as mãos e aceitou o desafio de uma luta sem nenhuma esperança. Ele foi muito convincente, porque Stallone era ele mesmo.

Explico, Stallone era um ator pornô, italiano, sem nenhuma perspectiva na indústria de Hollywood. Ninguém lhe deu esperança alguma de participar de um filme. O que ele fez? Escreveu Rocky, numa época em que os Estados Unidos enfrentavam uma crise moral, logo depois do Vietnã. E ele não escondeu nada disso, ele escancarou a miséria, mas disse que dali podia nascer um sonho, que cada indivíduo, sozinho, se lutar bastante, pode realizar o seu sonho.

O de Rocky era só não ser nocauteado. Era só ficar de pé até o fim, custasse o que custasse. Uma vez na vida não se abaixar, uma vez na vida não deixar que todos os outros rissem dele. Ele encontrou seu destino por causa disso. Foi um grande sucesso pois trouxe esperança. Simbolizou a capacidade de se reerguer em todas as adversidade.

O resto da história a gente conhece. Stallone, fez muitos filmes, ficou rico e depois sumiu. Agora, coroa, ele resolveu fazer o fim das histórias dos seus personagens.

Ok, Rocky Balboa não é um excelente filme, mas vc vê na tela como Stallone olha pra trás. Ele fez o filme para agradecer por tudo o que ele conquistou por causa do gesto ousado de fazer um filme sobre si mesmo. E quando acaba, na última cena do sexto filme da série, eu fico sempre emocionado. Eu queria ser como o Stallone, sabe? Poder ir até o final de algo grande que eu fizesse.

De verdade, quantos conseguiram fazer o começo, meio e fim de seus personagens? Eu não sei, só sei que tenho orgulho da mensagem que Stallone, mesmo não sendo um grande cineasta, deixa para o futuro. Daqui a cem anos, se alguém ver Rocky num velho aparelho de DVD, vai se emocionar também, sabe porque? Porque podemos sempre mudar com um tempo, mas uma capacidade humana nunca mudou em toda a nossa história: a capacidade de se emocionar com a dor, o sofrimento e a glória.

Por isso digo que Rocky é um bom filme. E ponto…

 

 

 

 

 

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3 pensamentos sobre “Olho do Tigre

  1. Apenas um comentário:
    taran ran taran ran
    taran ran taran ran
    taran ran taran ran
    taran ran taran ran tan ran ran ran ran ran ran … (o instrumental sugerido para a leitura!)

    Sabe de uma coisa, pro espaço os críticos, aee Rocky! \o/ (Pra quem não sabe, o tão usado símbolo de comemoração / foi inspirado no filme Rocky naquela celebre cena de levantar os braços após a subida da imensa escadaria…hehehe)

  2. nossa, Eye of the Tiger me arrepia até hoje haha.
    muita gente deixa de ver Rocky por preconceito… bobagem. eu via sempre com meu pai e também chorei no último filme.
    ok, vou ser sincera, eu devo ter chorado em todos. tenho um problema com essa coisa de superação e volta por cima. inveja, talvez.

    vai saber.

    (desculpa a invasão, acho que vou ler todos os seus posts até o fim do dia haha)

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