A fuga da pitangueira

 

Foges de si

Desalmada e nua

Incandescente de incongruências

Pedante de semânticas

E de luxúrias

Vives em tempestades

Navegas em pesadelos

Cobre-se de desassossegos

E oscula-me com os olhos

E com as bocas, tantas bocas quanto tens.

Vê-te fugidia

Jura que estás vazia

De versos, flores, cores e silêncios,

Páginas e páginas de um livro de tormentos

E loucuras insistentes

Que zunem, param, vibram, encantam, matam e realizam

Gritam, geram a vida, o inverso e o infinito em cada parte.

Está escrito: foges de si

Está escrito: queres de si, ama-se, vive-se de si.

Está escrito: toma-te nas mãos e fala com os lábios

Nus

Infames

Inertes.

Conta histórias de linhas tortas

De amor

De honra

E de reflexão

De angústia.

Põe ideias onde há caos

E caos onde reinam os hiperlativos.

Foges de si, pois é na fuga que te encontras

É na impressão que te expressas

É na imensidão que te findas

E no recomeço que te recarregas…

Foges de si, pois és regaço e camafeu

Intrépida, errante pendão

Que balouça à beira do abismo.

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