Kübler-Ross

De repente, viu-se consciente. Surpreso, percebeu tudo o que havia com os reais matizes que se configuravam no mundo. Inicialmente, tomou-se por sábio e passou a dividir com os outros aqueles meros devaneios de que tudo tinha outra configuração, de que o poder sublevou a honra e que havia tempo para mudar as coisas e seguir o caminho do bem. Insanamente, passou a apontar caminhos, ditar diretrizes e cuspir aos sete ventos os erros e pecados, os vícios e ignomínias, pondo-se acima do bem e do mal. Porém, viu-se só. Apedrejado pelo fracasso, tornou-se amargo e frio. Maldisse todos os detratores e, no seu ódio, liderou uma pequena súcia de ignorantes que admiravam loucamente a argúcia e perspicácia de seu líder, fazendo-o sentir-se forte. Com o tempo, os múltiplos matizes que ele enxergava, foram substituídos pelo certoXerrado, brancoXpreto, sábioXignorante e tornou-se vaidoso. Vaidoso, tornou-se ainda mais forte e, no despertar de sua vingança, passou a assassinar e perseguir aqueles que ousaram discordar de si. E criou mártires. E criando mártires, criou também sua própria destruição. E foi preso. E viu-se novamente só. Primeiro a negação, dizia que os detratores não durariam e que logo logo ele se reergueria das cinzas, trazendo de novo a ordem e a lei para o mundo. Depois a raiva: outra vez a vingança tomou conta do seu coração, prometendo que dessa vez se esforçaria para que nenhuma resistência sobrevivesse. Depois, ainda só, passou a dizer a si mesmo que tudo o que tivera feito era para um bem maior, para que houvesse o surgimento de uma nova era de amor e paz. Então, desesperado e entregue, chorou copiosamente por cada uma das mortes. Infligiu-se dores e passou a flagelar-se frequentemente clamando por perdão e piedade. E, finalmente, a consciência atingiu-o uma vez mais. Enxergou-se nu, muito magro, barbudo, coberto de escarras e envelhecido muitos anos. Não buscou perdão, nem retratamento. Andou humilde e embevecido pelo cadafalso, recebendo com deferência todas as maledicências da multidão enfurecida. E ali, percebeu, entorpecido, que a tarde não tinha cores mais belas, nem pássaros cantavam, nem havia nada de diferente. Morreu num dia banal sem que sua presença fosse notada nos livros de história.

 

Ipanema

My lady

She passes by me

She knows that I can see

Her face when I’m standing by

And she passes by me why

I’m looking above twice

I’m sorry ‘cause I’m like she is

 

The clothes of yellow sand

In the pubs, I am in there again

Waiting for a new begin

And another dust of wind

Scotch on the rocks

One and two and maybe more

And more, and more

The night, and a beautiful sky

And she passes me by

The moon forsake no more

And tell me about your stories

And I’m falling in love

 

Ipanema is with us

The sea is a hug of stars

Dancing in the waves

Whit whales and mermaids

And walking for a long, long time…

Striker Beach

Rocks are our only witnesses

 

And the sun comes

The morning

You sleep on my lap

The calling

It’s time to go

“I’m leaving”

And I ask for your number

“I’m going”

You won’t understand my word

“I’ll back from my land, my country, my only and real love…”

She said…

Stone and Rose

Immaculate.

A stone broking the wall:

Stonewall,

Stonehedge…

Like a prayer, a monastic,

An obstacle to the wind:

A rolling stone

Creating doors for the perception…

Chronicles about love and despair,

Loving a red flower that is

Seesawing on the abyss

The flower smiles

She’s a red rose

Without fear

Without looses and nightmares…

Her only companions are the rain and the stone

The time and the eternity

The love.

And she waits, ‘cause she knows

She is pure.

They are pure.

And nothing else matters…

The nature and the chaos

Two sides and other sides

A flower and a stone

Interconnected, mixed

Made from the same type of dust.

Clarisse

 

 

Where is the heaven?

Round stones, hiding the sunny sky

Above the tortuous and beautiful clouds

Under my skin

Under my feelings

Under the greatest abyss of my understanding

She comes to me

She likes me

She’s here with me when I falling down

See the despair

And the commitment

Between my liberty and my detachment

Between my soul and my perception

 

Eu quis cantar, a bola rolava no dia de sol

A vida canta, o sinal, o farol

Eu queria zunir, procurar, procurar

A sina do frade, laia-laiá-laiá

Lundu de marquesa num dia de mar

 

There is no Heaven, Clarisse!

The paradise and Hell, the smokes, cigarettes

Marijuana and blessing pounds

Stairways for down and down

Tonight

When I cry, with you

 

Mandei fazer um broche de fita

E jasmim

Mas ela não olha pra mim

Ela não quer me dizer

Talvez responda você

Talvez volte pra cá

Talvez escreva um cartão

Talvez fique a solidão

A onda a bater no mar

 

She told me an incredible and surrounding

Hurricane

Floating

Cirrus: plumbeus!

Ptlomeus! Pitolomeus!

Don’t buy me a diamond ring

Carry on, carry on

Bloody sugar

Sugar

Inconstancy and chaos

 

Ela se perdeu na foz

Entre o cais e o porto

Entre o princípio e o fim