Modiglianesca

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Deitada, arfante e nua

a pele em degredo, multiascendente

falha em dominar-se

pulsa.

 

Eu-lírico

beijo-a

e invento palavras

sinestesias

fissuras

Tomado de experiências

fito-a, desfolhar-se

em êxtase;

seduzido;

acuado:

entregue

Passo a desequilíbrios

propenso a ingerências

máximo em tordesilhas

criando linhas para derrubar

sucumbo

Sou dela, em pouso, arco, fel e entendimento.

A boca vermelha

Ah, o canto da boca!

Perder estribeiras, recatos, tonteiras

Beijar os mamilos e inteira

Sorver-te

 

Ah, o peito galopa

Tentado e inseguro, manejo e floreio

Deitar-me no colo, descanso e esteio

Silvestre

 

Ah, a boca silente

Não diz nada, mas mesmo assim se sente

A fuga, a busca, um tanto pungente

De se entregar.

Justiciamento

Um certo vício

Uma hecatombe programada

Um certo ócio

Uma desculpa esfarrapada

Um riso fácil

E a palavra não diz nada

Um fogo tácito

Uma cidade escancarada

A flor de Lácio

E o inimigo pela estrada

É tudo sádico

Outra história mal contada

Um furor mágico

A fuzilar a madrugada

Um novo cântico

A velha arma engatilhada

O som do pânico

O corpo frio na encruzilhada

 

 

 

E o silêncio a espalhar a novidade.