12 Julho, 2008
Don Chico Chicote
Rumou no cangote
Do cara de lá
Meteu compromisso
Perdeu o juízo
Matou o bandido
Tentou se matar
Don Chico Chicote
Virou meu mascote
Mascate, má sorte
A lebre de corte
No Maracangá
Don Chico Chicote
A faca quer corte
A paz que eu preciso
Pra revigorar
É sangue, quer morte
Do Chico Chicote
Da ponta da aba
Do chapéu panamá
Don Chico Chicote
O Padre te espera
Pra se confessar
Don Chico Chicote
Rumou para o norte
Batizou dois filhos
Pulou todos ritos
Sangrou dois cabritos
Pra raiva passar…
Pulou de um anjico
Pendurado o pescoço
Seu lábio, seu rosto
Irascível, balança no ar….
4 Julho, 2008
Temo o ciclo inconstante
Na valsa o verso pungente
Sempre andando pra frente
Seguindo o rumo de lá…
Temo aquele riso desfeito
Caminhos que se encontram no leito
Tortuosos pedaços de céu
Sacudindo o Baependi
Marcho na terra estradeira
Coração palpitando besteira
Vidas que ligam sensatas
Fugas que viram sonatas
Estradas
Fumaças
Furnais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Lágrima que segue rolada
Solicitude continuada
Errante no meio do fim
Eu quero da vida a faca sangrante
Palpite de lua minguante
A lança, que lança o veneno
O cego que imita o remédio
E nas nuvens escuras
Que se fundem em semifusas
Colcheias e sons demais…
A valsa
O samba
O Filme
Embalos de cartão postal…
Danço com o colibri
Lembro do que vivi
E torço pra não acabar
Jamais…
Para Aline, que nunca deixou de acreditar em mim…
20 Junho, 2008

Além da imaginação
Olhos vulgares à espreita
Caminhos que se cruzam
Sinestesias encontradas
Beijos nus em sinuosidades…
Meus lábios fazem escuridão
Sopram ventos de mudança
Quebram o limbo dos vazios
Complementam-se
Tremem
Luzem…
E então, na minha Pasárgada
Rei que sou, respiro ilusão
Procuro variedades
Algébricas, geométricas
Afins…